09/11/2016 – Trump.

Em tempos de crise até o tempo resolveu se manifestar.
 
A chuva chora e tenta limpar o ar seco que passa pela garganta.
 
Os raios gritam pela janela embaçada e dizem em bom e alto estrondo:
 
– O que é que vocês estão fazendo?
 
As árvores se movimentam como quem pede revolução.
Há inquietação demais pra aceitar um dia tão sedento.
 
O sol se recolhe mais cedo mostrando indignação.
 
A lua se esconde em meio as nuvens encharcadas perguntando se será válido hoje mostrar o seu esplendor.
 
O vento é forte e indelicado.
 
A noite entra densa, abafada e desconfortante.
 
– E a esperança? Algo me pergunta.
 
Vem acompanhada do amanhã.
 
 
 
– gm
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20/11/2015

Ela segue.
Linha reta na consolação.
Baldeação verde-amarela.
Desconfia de muitos, se envergonha com alguns, aprecia poucos.
Na esteira para.
Segue lentamente buscando inspiração.
Veste um macacão colorido verde estampas, 40 reais na Avenida Paulista, próximo à Brigadeiro. Passavam cartão no meio da rua!

Segue o fluxo pés-pensamento.

Embarque Butantã. Desistira de pegar o ônibus no Terminal Pinheiros.
Queria viver o dia. Talvez o trajeto até a Lilás resultasse bons pensamentos. Ninguém a vê. Mentira. Ninguém a enxerga.

Nas costas uma mochila carregada com roupas de dois dias calcinha sutiã caderno de anotações caneta preta caneta azul marca texto amarelo neon carteira porta cartão bilhete único de estudante (por volta de uns 5 reais, nem isso) cartão Santander conta universitária bolo marca x enrolado no guardanapo milagre vários lugares no metrô pílula anticoncepcional na sacola da mochila lenço umedecido o.b demaquilante na bolsa azul da mochila maquiagem pó base rímel rímel a prova d’água delineador sombra blush três pincéis peça de teatro daqui quantos dias? CALENDÁRIO! Perdi as contas, pera, quanto? Ah. 24 dias. Pera, QUANTO? VINTE E QUATRO DIAS cílios postiços meu Deus, pinheiros.

Tantas escadas rolantes. Pela primeira vez resolve contar. Cinco andares de escada rolante. Cinco andares de escada normal. Escolha errada, perder uns quilinhos ia bem. Alguma coisa pinica sua bunda. Talvez um garfo, um lápis que ficou no fundo da mala, tirar tudo de dentro pra checar? Nem pensar. Pensou?

Um cara. Blusa branca, calça bege, tênis amarelo neon, parado na escada rolante ao lado, não para de olhar. Ele não para de olhar. Ela sabe que não tá cagada. Pelo menos ela… Ele NÃO PARA DE OLHAR. O homem, tênis amarelo, parado sentido estação Osasco. Ela desce a escada rolante da CPTM entra no trem sentido Grajaú. O homem, tênis amarelo, vai até a porta do trem sentido estação Grajaú. Ele NÃO PARA de me olhar. Ela encara. O homem, tênis amarelo, volta-se novamente à plataforma sentido estação Osasco.

Respiração profunda……………….
Desconfia de muitos, se envergonha de alguns, já não aprecia nenhum.

Tietê em suas narinas, vista, mente.
A CPTM informa os assentos com indicação, são de uso preferencial, respeite esse direito. Estação Berrine, desembarque pelo lado esquerdo do trem. Boa tarde, pessoal! Leva 30 agulhas é um real.

Hálito de café, dor nas têmporas.
Ela sabe que não é Luiz Ruffato. Ou será que é?

Tumtumtumtumtumtumtumtum. Abrem. Tumtumtumtumtumtumtumtum. Fecham.
Ô Lucas. Já guarda as coisas aí. Vixi. Acabaram de pegar o cara da agulha ali no outro vagão. Acho que vão me pegar também. Ô pessoal, vou fazer uma coisa que eu nunca fiz antes aqui. Leva pen drive por R$10,00. Acho que já me viram também.

“São Paulo é identificação absoluta. Sou eu.”

São Paulo, sou eu.

Somente ultrapasse a faixa amarela quando o trem abrir as portas. Não arrisque sua vida. Ar condicionado abafado dor de garganta.
Você não está sozinha, abuso sexual é crime…
Terminal João Dias.
Melhor guardar o celular, senão… São Paulo.
Se não São Paulo?

-gm

Àquela mulher.

Encontrei nela um olhar de mistério.

O peso do cotidiano era forte em suas olheiras matinais.

Um passo velejante num mar de tempestade, mas uma fome de um futuro já, sempre, objetivo.

Uma luz que se estende do cardíaco e irradia sem foco.

No estômago sempre um resquício de dor daquilo que não soube lidar.

Seus sonhos são determinados em contraponto ao peito frágil.

Eu via em sua mente um turbilhão de informações mal resolvidas, mas também via em seus olhos exaustos a experiência do amor.

Era uma mulher repleta de histórias apaixonadas.

MU – LHER
– é bom que fique bem gesticulada essa parte pra sentirem a força da palavra, na qual ela só ajuda a sobressair.

Ela era apaixonada pela vida, por seus projetos, vontades, pessoas e graças a isso, era dignamente apaixonante.

Quem dá o exemplo, pode receber facilmente em troca, com prazer.

E sem sombra de dúvida, em algum momento, ela sempre vai atrás do que é seu. Ou algo que acha que deveria ser.

Seja por ódio, ciúme, amor, orgulho, medo, necessidade, loucura ou pela motivação que achar crível, ela simplesmente, em alguma hora, corre atrás de suas pequenas certezas.

O amor nunca caminhou distante dessa mulher.

Talvez ela nem saiba lidar com o amor, de fato, sabe?

Mas quando essa mulher – naquele esquema ali de cima, bem gesticulado – ama, diz amar mesmo sem saber.

Se arrisca.

E é uma pena que eu não a tenha conhecido com um espaço a mais, uma pequena sobra de amor pra mim.

Digo brecha de amor de amante… Porque pra amigo, irmão, colega, ela está extremamente aberta, sempre.

Não é a toa que eu saiba tanto sobre a sua vida, certo?!

Mas seu coração ainda estava ocupado por um amor que ela não podia deixar passar pela instabilidade do tempo.

Ela me dizia, sem hesitar: “Não sou de desperdiçar bons futuros, mas venho lembrando que há de se reerguer presentes para que o futuro seja possível.”

Sou feliz por cruzar pessoas assim.

Há de se acreditar ainda que existam pessoas intensas e sinceras como ela.

Errantes, mas sonhadoras de carteirinha.

Seu sorriso me mostrava a sua vontade de viver, se jogando no abismo.

E ela me mostrava que a instabilidade também poderia ser útil de alguma maneira.

Já que pra viver não há manual de instrução, mas há uma lista imensa de instintos, crenças, desejos e motivações próprias que nos fazem seguir em frente com mais verdade e alegria.

Mesmo para seres errantes, tortos e desengonçados, a vida há de ser um belo e bom aprendizado.

Afinal, ninguém está aqui só por passagem.

E só vim aqui compartilhar o meu encantamento por essa moça, por mais tolas que possam ser essas minhas palavras, porque textos mal escritos ainda são melhores do que ideias sem formas.

-gm

Só caminho…

Caminho devagar, sorrateira.

Observo as pessoas, as ruas, o meu eu guardado e a minha parte mais íntima que se esconde.

Tento entender o passado, tento crer na realização dos sonhos futuros, mas prefiro tentar focar no dia após o o outro, no aqui, no agora, no instante.

Acredito que deixamos passar muitos instantes da vida, quando só o que sabemos fazer é viver de passado, futuro e incertezas.

Nos indagamos a todo o tempo de nossas escolhas, temos medo de agir, como também temos medo de ficar estagnados naquilo que nos causa algum tipo de dúvida. Mas esquecemos que nada é certo, perfeito, escrito em linhas retas, claras e gentis.

O ser humano se obriga a saber todas as respostas, se nem ao certo consegue elaborar suas próprias perguntas.

Acho que vou lutar por um mundo em que possamos “pegar mais leve” com a gente mesmo.

Sem tantas cobranças, automutilações, culpa, medo, angústias e ansiedade.

Venho preferindo fechar os olhos para certas questões.

Prefiro ir vivendo de outras maneiras, sem ficar pensando que um dia hei de me arrepender por certas escolhas.

Ouço o sopro, o canto, a natureza, sinto o abraço, observo os passos, aprecio as risadas e o relógio incerto, crio amizade com o tempo vago e as surpresas diárias, sorrio com as conquistas espontâneas, me intrigo com os olhares misteriosos, distribuo carinho sincero a quem meu peito optar, observo com compaixão a quem puder, deixo o rancor viver o mais distante possível, vivo os impulsos da alma, sinto a loucura da relação mente/coração, me movimento e me renovo com músicas, textos, poesias, danças, cenas e contextos, choro com a saudade de algo que fui ou daquilo que quero ser, as vezes, mas aceito a culpa, o choro e em seguida me perdôo, pois não há exatidão em nada, não há lógica em tudo, as certezas são tão poucas e tudo bem, também.

Vivo a distância entre o sim e o não enxergando a beleza que há no talvez.

O caminho muitas vezes é mais rico do que a chegada. E por isso hei de aproveitá-lo sem a necessidade de explicar cada passo.

Se há como existir leveza, porque viver entre pesos e inseguranças?

É claro que faz parte do aprendizado, mas se o intuito é aprender, não há “erro em errar”.

Sejamos assim, então.

O mais sinceros com a vida, com os outros e com nós mesmos.

Aceitando o fato de sermos errantes em busca de belos aprendizados, mas dando o nosso melhor agora.

Respeitando os nossos limites, os limites alheios, mas acima de tudo aceitando de braços abertos o que nos é dado pro instante, porque nada é por acaso e essa é uma das minhas únicas certezas.

Que vivamos, então, envolvidos em lindos sonhos, mas que possamos desfrutar ainda mais do incerto trajeto.

-gm

É o que pensa…

Pensa como pensa o amor.
Amor por si, amor por outro.
Pensa como pensa o erro.
E como pensa o coração em contra ponto da mente.
Pensa como pensa a liberdade e como já pensou a solidão.
Pensa como se pensa o medo e como pensaria a coragem.
Pensa como se pensa uma mulher e se deixa de pensar menina.
Pensa como se pensar com tudo aquilo que não pensa.
Pensa tanto que pensar já virou sinônimo de repetir.
O pensamento não sabe pensar de tanto que pensa.
Pensar não faz mais sentido.
Então ela foge.
Foge pra um mundo que ela não tem que decidir nada, ela não tem que pensar nada.
Ela não tem que fazer nada.
Ela não quer fazer nada.
Ela não pode fazer nada.
Ela não vai escolher nada.
Não e não e não e não.
Ela não vai, porque não quer.
Não, ela não pode querer,
porque significa que ela escolheu,
o que significa que ela pensa.
Não, ela não vai pensar.
Pronto. Não pensa.
Mas isso é o que ela pensa.
Não há saída pro pensamento.
Não há certo e errado, não há como não pensar.
Crescer é isso.
Aceitar. Resolver. Chorar. Sofrer. Seguir.
Lide com isso.
Se ame. Seja feliz.
Aprenda com isso.
E pense: Não há nada que o tempo não leve.
Se não quer pensar, sinta.

-gm

Ô, menina.

Ela encantava.
Costumava encantar-se.
Ela era amada, ou achava.
E hoje já não é nada, porque não sabe o que é.
Costumava ser amor.
Era só isso que sonhava.
Sonhou tanto que seus sonhos se tornaram histórias e já não sabia mais o que era sonho e o que era realidade.
Se iludiu com as próprias verdades.
Se enganou com as próprias vontades e hoje já não sabe mais o que quer.
Ainda sonha como sempre, mas não basta.
Costumava ser forte.
Ou achava.
E hoje já não é mais nada além de medo.
Ela era doce, correta, careta, carente.
Hoje ela é apenas a busca de entender a sua mente.
Suave mente.
Era chocolate quente, hoje é café.
Era escola, agora é trabalho.
Era comédia romântica, agora é suspense.
Era ansiedade, agora é gastrite nervosa.
Tá na fase de mudança, essa menina.
Já deixou de ser criança e agora rala pra entender a “dor e a delícia” que é crescer e optar pelo próprio rumo.
Ainda aposta no colo de mãe.
Mas tem completa noção de que os livros didáticos só tem respostas para as provas de vestibular.
Que o vento leve, vai…
Mas proteja do frio.

E aí eu parei pra procurar um texto que falasse de um amor que fosse quase como o nosso. Só porque eu precisava te dizer aquilo que eu sentia. E em alguns minutos de busca resolvi que nada ditaria exatamente o meu sentimento. Talvez nem minhas próprias palavras. Mas por vontade de mostrar um pouco do que sinto, resolvi escrever assim mesmo, sem buscar nada muito inspirador, só sincero.

Eu te escolhi, sabe? Mas isso não teria feito a menor diferença se por ti eu não tivesse também sido escolhida. Um relacionamento não se faz sozinho. E eu me lembro muito bem de quando tudo isso começou. E me lembro ainda mais do porquê isso começou. Foi em parte racional, mas não poderia ter sido só isso. Foi coisa de pele. Sintonia extremamente absurda de projetos, sonhos, desejos. De histórias passadas que se aproximavam e a certeza de que os dois já haviam vivido um pouco pra dizer que existia ali algum tipo de experiência com o amor. Me lembro das pausas longas que eu fazia na minha cabeça pra tentar entender o que era aquilo que você me causava. E então decidi aceitar que era você que eu queria pra completar esse meu “respirar” de todo dia. Esse cara com fé no mundo, vontade de viver. Eu sabia que de alguma forma você era o homem que eu queria pra vida. Não me pergunte como. Eu só sentia. Parecia que o vento me soprava os momentos de companheirismo nas orelhas. Que ele me contava que eu teria um amor que vai além de pequenos momentos agradáveis. Que seria um amor que suportaria as minhas piores fases. Que me daria a mão, o braço e o que fosse preciso pra me fazer feliz de alguma maneira. Um amor que saberia enxergar os erros e pedir perdão. Que não tiraria os olhos do nosso futuro incerto. O vento me soprou tudo isso e me intrigou a querer saber do resto. E eu não sabia mais pensar em outra coisa senão o porquê de uma pessoa como você ainda não ter encontrado um alguém que te desse tanto carinho ou talvez o porquê de nenhum daqueles amores ter dado certo. E ai eu percebi que era eu a escolhida. Não só por ti, mas pela vida pra te fazer feliz no que eu pudesse. E confesso que eu piso na bola muitas vezes. Que eu sou chata o suficiente pra conseguir te estressar em momentos que ninguém jamais veria você bravo. Mas
confesso também que não existe amor maior que esse. Um amor louco, de idas e vindas, que briga, que chora, que sente ciúmes. Que grita, que cansa, que se desespera. Que corre, que cobra, que entope, que explode. E que ao mesmo tempo faz de tudo pra ser o melhor de todos. Faz o que puder pra te fazer bem. Amor que se arrepende, corre pros seus braços pra encontrar abrigo e não nega estar com os próprios braços abertos pra te receber em troca.
É um amor que sabe ser bom, mas também erra tentando acertar. Como qualquer amor sincero. E tenta, insiste, desfaz, refaz o que for preciso. Esse é um pouco do nosso amor. Do meu. E que seja assim pra sempre, se nos for permitido. Porque te amar é simplesmente maravilhoso e te ter é melhor ainda. Obrigada ❤️
-gm

Droga de todos nós.

Corre.
Corre entrecortando ossos, músculos, nervos, veias e pele.

Mistura-se entre o estômago, coração e o cérebro.

Transborda pelo suor, pelo riso e pelos olhos.

Destroi-me a princípio os rins e pulmões se eu chegar ao excesso e ao descontrole.

É a droga mais forte de todas as drogas.

Não se sabe exatamente como e quando se consome.

É viral.
Capaz de atingir qualquer ser humano.

Grandes dificuldades de cura após seu consumo.
Não existe remédio, apenas o tempo. E sempre tende a ir embora e retornar ao corpo.

Lotado de efeitos colaterais como: Mudança de humor, ansiedade, palpitação, alucinação, enjoos, dores, aumento da libido, prejuízo da atenção e concentração, insônia, euforia, energia, ciúmes, prazer, aumento da temperatura corporal, espasmos, saudade.

Não tem cor, não tem cheiro, pode ser dolor. É potente, assustador e ao mesmo tempo gratificante.

Eis o amor.

-gm

Noites frias.

Se enrosca,
se enlaça,
se amassa,
se torce nos braços.

Se perde,
se envolve,
então voa,
mas logo se acha.

Te aperta,
te sente,
te enxerga
e aumenta o desejo.

Ele a vira,
ela inspira,
a revira,
expira,
e o corpo mistura,
se admira,
contrai
e suspira.

Desmontados,
risos que beijam abraçando a memória dos minutos de insanidade passados.

Na cama nudez sem pudores.

No corpo reações momentâneas, incontroláveis.

Na carne marcas inapagáveis.

No espiritual agradecimentos e pedidos pela troca eterna.

Na alma um alívio do finalmente encontrar.

Nos olhos gotas de amor espontâneas.

Na boca um sorriso de nunca mais se apagar.

E sono rápido, profundo… sem nem uma só cobrança para despertar.
-gm

Belo na complexidade de sua essência

Desamor dói. Enfraquece. Esvazia.
Eis que prefiro amar, mas o amor assusta.
Sufoca. As vezes machuca. E torna-se maravilhoso ao mesmo tempo.

Como lidar com razão e emoção ao se amar demais?

Razão diz, claramente: Solte-o! Deixe que viva, deixe que faça o que lhe for necessário.
Emoção rebate: Abrace. Aperte. Segure-o! Beije, morda, aproxime-se, aperte. Segure-o!

Te quero como algo que se quer a vida toda.
Como algo que se quisera todos os dias.
Junção de sentimentos já conhecidos a cada amor que a vida deixou passar, mas de forma dobrada, triplicada!
Novo, inusitado, forte, real, que se pode quantificar citando chuva de verão.

Amor que é amor na verdade não é só amor.
Não seria ele se não houvesse muito do que se tem por detrás dele.

É criado através de sentimentos mil:
Ricas qualidades que se encontram entre aqueles que se envolvem,
diferenças que de certa forma se suportam, ouvidos bem abertos, olhos fechados por se confiar cegamente mesmo que na incerteza.

Temos medo. A verdade é que tenho medo.
Insegurança, pois amar alguém é quase como se tornar um ser maior.
Juntamos dois inteiros que na convivência quase viram um. E na perda, perde-se metade de si.

Cansaço rodeia o coração de muitos. Como rodeia o meu.
Meu coração é jovem, mas de amor já viveu muito.
Cansou de juntar os pedaços que se perdiam a cada paixão levada pelo tempo.
Reconstruiu-se. Mas um vaso colado depois de caído ao chão, jamais será o vaso novo de tempos atrás. É vivido.
É feliz quando se renova, de qualquer forma.
Se faz feliz. E agora está feliz, não posso negar!

É por isso, talvez, que se tem medo. Vontade nenhuma tem meu coração de juntar mais alguns pedaços.

Hoje ele bate como nunca!
De um jeito que jamais havia batido.
Porque além de amar, hoje ele é amado.
E não pode, não permite, de maneira alguma, deixar de amar.
Que amor bom esse!
Quanta vida passou a ter!
Hoje é mais forte que coração que ama primeiro amor.
Indiretamente, apenas, se aflige.
E as vezes chora, mas depois de refeito se esforça para jamais relembrar a dor da desilusão.
Prefere muitas batidas!
Que se destrua, mas de tanto amor. Aguentando a angústia de ser tão volúvel.

Amar é compartilhar sonhos.
É abraçar, beijar com vontade.
É por do sol visto da serra na volta pra casa.
É sorriso. É leveza. Mas também é angústia. Loucura.
Uma pitada de ciúme com gostinho de posse.
É pensar no futuro querendo que ele chegue logo, mas temendo ser apenas uma ilusão.

Amar é se entregar.

É ter coragem de seguir em frente e tentar viver um dia após o outro suportando os pensamentos que rodeiam o passado e aguardam pelo futuro incerto.
Amar parece simples, mas se faz mais complexo do que fórmulas de matemática… pelo menos pra mim, que sou da área de humanas!

A questão é que não há coisa melhor na vida.
Pelo menos não inventaram nada que seja mais gostoso e bonito que o amor em sua complexidade.

Chocolate é delicioso.
Risadas de doer o estômago são deliciosas.
Presentes de natal. Comemorar o aniversário. Transar.
Cantar no chuveiro é delicioso. Ir a praia. Viajar pelo mundo.
Tirar 10 naquela prova impossível. Assistir filme no domingo a tarde.
Dormir ouvindo a garoa. Tudo isso é delicioso! Mas nada supera o prazer incondicional de amar. Amar e ser amado, todos os dias.
É complexo, mas é amor!

– gm