Àquela mulher.

Encontrei nela um olhar de mistério.

O peso do cotidiano era forte em suas olheiras matinais.

Um passo velejante num mar de tempestade, mas uma fome de um futuro já, sempre, objetivo.

Uma luz que se estende do cardíaco e irradia sem foco.

No estômago sempre um resquício de dor daquilo que não soube lidar.

Seus sonhos são determinados em contraponto ao peito frágil.

Eu via em sua mente um turbilhão de informações mal resolvidas, mas também via em seus olhos exaustos a experiência do amor.

Era uma mulher repleta de histórias apaixonadas.

MU – LHER
– é bom que fique bem gesticulada essa parte pra sentirem a força da palavra, na qual ela só ajuda a sobressair.

Ela era apaixonada pela vida, por seus projetos, vontades, pessoas e graças a isso, era dignamente apaixonante.

Quem dá o exemplo, pode receber facilmente em troca, com prazer.

E sem sombra de dúvida, em algum momento, ela sempre vai atrás do que é seu. Ou algo que acha que deveria ser.

Seja por ódio, ciúme, amor, orgulho, medo, necessidade, loucura ou pela motivação que achar crível, ela simplesmente, em alguma hora, corre atrás de suas pequenas certezas.

O amor nunca caminhou distante dessa mulher.

Talvez ela nem saiba lidar com o amor, de fato, sabe?

Mas quando essa mulher – naquele esquema ali de cima, bem gesticulado – ama, diz amar mesmo sem saber.

Se arrisca.

E é uma pena que eu não a tenha conhecido com um espaço a mais, uma pequena sobra de amor pra mim.

Digo brecha de amor de amante… Porque pra amigo, irmão, colega, ela está extremamente aberta, sempre.

Não é a toa que eu saiba tanto sobre a sua vida, certo?!

Mas seu coração ainda estava ocupado por um amor que ela não podia deixar passar pela instabilidade do tempo.

Ela me dizia, sem hesitar: “Não sou de desperdiçar bons futuros, mas venho lembrando que há de se reerguer presentes para que o futuro seja possível.”

Sou feliz por cruzar pessoas assim.

Há de se acreditar ainda que existam pessoas intensas e sinceras como ela.

Errantes, mas sonhadoras de carteirinha.

Seu sorriso me mostrava a sua vontade de viver, se jogando no abismo.

E ela me mostrava que a instabilidade também poderia ser útil de alguma maneira.

Já que pra viver não há manual de instrução, mas há uma lista imensa de instintos, crenças, desejos e motivações próprias que nos fazem seguir em frente com mais verdade e alegria.

Mesmo para seres errantes, tortos e desengonçados, a vida há de ser um belo e bom aprendizado.

Afinal, ninguém está aqui só por passagem.

E só vim aqui compartilhar o meu encantamento por essa moça, por mais tolas que possam ser essas minhas palavras, porque textos mal escritos ainda são melhores do que ideias sem formas.

-gm

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