Só caminho…

Caminho devagar, sorrateira.

Observo as pessoas, as ruas, o meu eu guardado e a minha parte mais íntima que se esconde.

Tento entender o passado, tento crer na realização dos sonhos futuros, mas prefiro tentar focar no dia após o o outro, no aqui, no agora, no instante.

Acredito que deixamos passar muitos instantes da vida, quando só o que sabemos fazer é viver de passado, futuro e incertezas.

Nos indagamos a todo o tempo de nossas escolhas, temos medo de agir, como também temos medo de ficar estagnados naquilo que nos causa algum tipo de dúvida. Mas esquecemos que nada é certo, perfeito, escrito em linhas retas, claras e gentis.

O ser humano se obriga a saber todas as respostas, se nem ao certo consegue elaborar suas próprias perguntas.

Acho que vou lutar por um mundo em que possamos “pegar mais leve” com a gente mesmo.

Sem tantas cobranças, automutilações, culpa, medo, angústias e ansiedade.

Venho preferindo fechar os olhos para certas questões.

Prefiro ir vivendo de outras maneiras, sem ficar pensando que um dia hei de me arrepender por certas escolhas.

Ouço o sopro, o canto, a natureza, sinto o abraço, observo os passos, aprecio as risadas e o relógio incerto, crio amizade com o tempo vago e as surpresas diárias, sorrio com as conquistas espontâneas, me intrigo com os olhares misteriosos, distribuo carinho sincero a quem meu peito optar, observo com compaixão a quem puder, deixo o rancor viver o mais distante possível, vivo os impulsos da alma, sinto a loucura da relação mente/coração, me movimento e me renovo com músicas, textos, poesias, danças, cenas e contextos, choro com a saudade de algo que fui ou daquilo que quero ser, as vezes, mas aceito a culpa, o choro e em seguida me perdôo, pois não há exatidão em nada, não há lógica em tudo, as certezas são tão poucas e tudo bem, também.

Vivo a distância entre o sim e o não enxergando a beleza que há no talvez.

O caminho muitas vezes é mais rico do que a chegada. E por isso hei de aproveitá-lo sem a necessidade de explicar cada passo.

Se há como existir leveza, porque viver entre pesos e inseguranças?

É claro que faz parte do aprendizado, mas se o intuito é aprender, não há “erro em errar”.

Sejamos assim, então.

O mais sinceros com a vida, com os outros e com nós mesmos.

Aceitando o fato de sermos errantes em busca de belos aprendizados, mas dando o nosso melhor agora.

Respeitando os nossos limites, os limites alheios, mas acima de tudo aceitando de braços abertos o que nos é dado pro instante, porque nada é por acaso e essa é uma das minhas únicas certezas.

Que vivamos, então, envolvidos em lindos sonhos, mas que possamos desfrutar ainda mais do incerto trajeto.

-gm

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É o que pensa…

Pensa como pensa o amor.
Amor por si, amor por outro.
Pensa como pensa o erro.
E como pensa o coração em contra ponto da mente.
Pensa como pensa a liberdade e como já pensou a solidão.
Pensa como se pensa o medo e como pensaria a coragem.
Pensa como se pensa uma mulher e se deixa de pensar menina.
Pensa como se pensar com tudo aquilo que não pensa.
Pensa tanto que pensar já virou sinônimo de repetir.
O pensamento não sabe pensar de tanto que pensa.
Pensar não faz mais sentido.
Então ela foge.
Foge pra um mundo que ela não tem que decidir nada, ela não tem que pensar nada.
Ela não tem que fazer nada.
Ela não quer fazer nada.
Ela não pode fazer nada.
Ela não vai escolher nada.
Não e não e não e não.
Ela não vai, porque não quer.
Não, ela não pode querer,
porque significa que ela escolheu,
o que significa que ela pensa.
Não, ela não vai pensar.
Pronto. Não pensa.
Mas isso é o que ela pensa.
Não há saída pro pensamento.
Não há certo e errado, não há como não pensar.
Crescer é isso.
Aceitar. Resolver. Chorar. Sofrer. Seguir.
Lide com isso.
Se ame. Seja feliz.
Aprenda com isso.
E pense: Não há nada que o tempo não leve.
Se não quer pensar, sinta.

-gm