Desacelere.

E vira e mexe a gente para pra pensar na vida.
No que se foi, no que será, no que está sendo.
Nossa cabeça vira um turbilhão de pensamentos, aflições, sonhos e comparações.
Aí a gente procura amigo, médico, psicólogo, psiquiatra, álcool, música, dentre outras mil vertentes pra tentar esquecer ou compartilhar as reflexões inacabáveis.

Nós nos perguntamos o tempo inteiro:
“Será que eu deveria fazer?”
“Será que eu devia ter feito?”

E pra acalmar soltamos uma resposta pronta como:
“É melhor se arrepender do que fez e não do que deixou de fazer” ou
“É melhor se arrepender do que não fez e não do que fez”.

Resultando em algo mais do que óbvio:
Nos iludimos e não respondemos nada.

Nós pensamos.
Pensamos.
Pensamos mais um pouco.
E geralmente achamos que somos os únicos a pensar em tudo.
Como se a insegurança fizesse parte de um único ser.
Como se histórias de vida não se reproduzissem.

Estamos todos voltados por pensamentos como:
. O trabalho;
. Os mil relacionamentos em que a gente passa;
. Ganhar dinheiro com algo que gostamos;
. Agradar o pai que não aceita a profissão “sem futuro”;
. A falta de grana pra pagar as contas;
. O que o ‘fulano’ vai pensar se a gente disser/fizer/vestir algo;
. Conquistar nossa liberdade;
. Quantas camisetas/calças/calcinhas serão necessárias pra viagem do carnaval;
. Quero calor quando está frio e quero o frio quando está calor;
. O medo que a gente tem de enfrentar um dentista ou uma cirurgia;
. Conseguir abordar àquela pessoa escolhida;
. O quanto estamos gordos ou magros demais e o nosso corpo nunca está de acordo;
. Falar mil linguas, morar no exterior e ter um currículo extremamente impecável;
. A vontade de dormir quando levantamos cedo;
. Quando iremos casar, ter filhos;
. Quando acharemos alguém sem pretensão de casar e ter filhos;
. Resolver o cálculo impossível da prova de matemática;
. Conseguir falar ou escrever sem errar o português;
. A roupa que eu vou vestir no casamento da minha irmã;
. Será que meu namorado(a) me trai?
. Preciso fazer algo pra mudar o visual;
. Preciso afogar as mágoas num pote de sorvete;
. Preciso ser gostoso(a), vou entrar na academia!

E assim por diante.

Todos os dias nos enchendo de perguntas e cobranças.
Queremos tudo pra ontem.

IMEDIATAMENTE!

Somos ansiosos e dizemos: “Nossa, como esse ano passou rápido!”
A questão é que o ano tem 365 dias e o mesmo número de horas.

Então pense:
Será que o ano passou rápido ou você é quem está se atropelando?

Vivemos a segunda-feira pensando em como gostaríamos que fosse sexta.
Comemos o almoço pensando na sobremesa.
Começamos a transar pensando na hora do gozo.
Abrimos um livro querendo saber o final.
Postamos uma foto no facebook querendo saber quem vai ‘curtir’.
Começamos a faculdade pensando no diploma.

E é por isso que temos a necessidade de nos desacelerar.
Só um pouco, por favor.

Para termos a chance de nos ouvir mais e aos outros.
Para apreciarmos mais o verde que não foi destruído por mil prédios novos.
Para aproveitarmos um pouco o olhar e o flerte antes do primeiro beijo.
Para apreciarmos uma música sem pensar na próxima playlist.
Para amarmos intensa e verdadeiramente sem imaginarmos o fim.
Para surpreendermos alguém sem querermos algo de volta.
Para termos a magnífica chance de viver novas experiências naquele minuto que não foi atropelado pela nossa loucura e insanidade diária.

-gm 

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