Pelo direito de ter medo.

Hoje eu a vi. Era pequena. Poderia ser enorme, o que provavelmente só aumentaria o meu sentimento de loucura.

A cor que regia sua magnífica – para alguns – estrutura, era nada mais nada menos que o marrom. Talvez fosse pouco mais clara, mas minha insanidade momentânea não permitiu que eu a apreciasse.

Poderia ter duas, três, quatro, quinze pernas e ainda assim não me agradaria – há certos sentimentos que não sabemos de onde nascem, mas de qualquer forma aparecem e nem sempre sabemos lidar com eles.

Digo o mesmo sobre os olhos. Poderia haver muitos ou apenas um e ainda assim me seria desagradável.

Poderia ela ser nociva, mas não há um ser humano capaz de me convencer e fazer-me temer menos tal criatura. 

Qualquer um, inclusive, poderia dizer (como costuma acontecer): “Olhe só pra você e olhe só pra ela. Ela é indefesa”. Eis que o digo em retorno: “Não há jeito/maneira de me fazer não ter medo. Por maior que eu possa ser.”

Posso eu ter o dobro de seu comprimento e o triplo de sua largura e ainda me sinto como se fosse infinitamente menor e mais fraca.

Meu sangue pulsa, meu coração, em instantes, acelera, quase como alguém prestes a entrar em completo ataque. Meu corpo treme. Meus olhos, vez ou outra, se enchem de lágrimas. E em dias como hoje já cheguei a perder o meu apetite.

Estava eu lá, quase encostada na parede da cozinha e quando olho para o lado ela está se movimentando, bem ao meu lado, quase grudada a minha pessoa.

Em segundos me vi saltando da cadeira e correndo para algum canto que eu nem sabia qual era.

Em minutos me vi escrevendo esse texto.

Sim, eu tenho PAVOR de aranhas.

E não importa o quão alto, velho e evoluído você seja: todo mundo tem medo de alguma coisa.

-gm

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Só queria…

As vezes eu queria te escrever um texto.

Uma poesia.
Um conto.
Uma matéria de jornal.
Um soneto.

Um bilhete pra guardar no bolso.

Na bolsa.
Na carteira.
Na mala.
No armário.
Na caixinha de óculos.

Não sei.

As vezes eu queria te escrever algo grande, forte, intenso.
As vezes eu queria te escrever algo singelo e doce.

Só queria escrever.

Ressaltar detalhes.
Contar segredos.
Despir minha alma.
Desfazer grosserias.
Refazer carinhos.
Sublinhar verdades.
Descartar mentiras.
Relembrar conversas.
Reforçar promessas.
Ressurgir vontades.
Introduzir pensamentos.
Provar sentimentos.
Pedir conselhos.
Dizer qualidades.
Implorar desculpas.

Te convidar pra me acompanhar em passos incertos, mas cheios de sinceridade.

De desejos.
De imaginações.
De sonhos.
De alegrias.
De conquistas.
De histórias.
De lembranças.
De graça.
De companheirismo.
De vida.
De nós dois.

Você com sua bondade aflorada.
Seu jeito individual, tão seu.
Discurso motivador.
Felicidade contaminante.
Que se pode ver o brilho pairar sobre o ambiente.
De um coração cheio de amor.

E eu com minha loucura consciente e vontade de te ter.

Conhecer.
Aceitar.
Escutar.
Aproveitar.
Beijar.
Abraçar.
Amar.

Duas sutis peças de quebra-cabeça formando um todo.

-gm

Desacelere.

E vira e mexe a gente para pra pensar na vida.
No que se foi, no que será, no que está sendo.
Nossa cabeça vira um turbilhão de pensamentos, aflições, sonhos e comparações.
Aí a gente procura amigo, médico, psicólogo, psiquiatra, álcool, música, dentre outras mil vertentes pra tentar esquecer ou compartilhar as reflexões inacabáveis.

Nós nos perguntamos o tempo inteiro:
“Será que eu deveria fazer?”
“Será que eu devia ter feito?”

E pra acalmar soltamos uma resposta pronta como:
“É melhor se arrepender do que fez e não do que deixou de fazer” ou
“É melhor se arrepender do que não fez e não do que fez”.

Resultando em algo mais do que óbvio:
Nos iludimos e não respondemos nada.

Nós pensamos.
Pensamos.
Pensamos mais um pouco.
E geralmente achamos que somos os únicos a pensar em tudo.
Como se a insegurança fizesse parte de um único ser.
Como se histórias de vida não se reproduzissem.

Estamos todos voltados por pensamentos como:
. O trabalho;
. Os mil relacionamentos em que a gente passa;
. Ganhar dinheiro com algo que gostamos;
. Agradar o pai que não aceita a profissão “sem futuro”;
. A falta de grana pra pagar as contas;
. O que o ‘fulano’ vai pensar se a gente disser/fizer/vestir algo;
. Conquistar nossa liberdade;
. Quantas camisetas/calças/calcinhas serão necessárias pra viagem do carnaval;
. Quero calor quando está frio e quero o frio quando está calor;
. O medo que a gente tem de enfrentar um dentista ou uma cirurgia;
. Conseguir abordar àquela pessoa escolhida;
. O quanto estamos gordos ou magros demais e o nosso corpo nunca está de acordo;
. Falar mil linguas, morar no exterior e ter um currículo extremamente impecável;
. A vontade de dormir quando levantamos cedo;
. Quando iremos casar, ter filhos;
. Quando acharemos alguém sem pretensão de casar e ter filhos;
. Resolver o cálculo impossível da prova de matemática;
. Conseguir falar ou escrever sem errar o português;
. A roupa que eu vou vestir no casamento da minha irmã;
. Será que meu namorado(a) me trai?
. Preciso fazer algo pra mudar o visual;
. Preciso afogar as mágoas num pote de sorvete;
. Preciso ser gostoso(a), vou entrar na academia!

E assim por diante.

Todos os dias nos enchendo de perguntas e cobranças.
Queremos tudo pra ontem.

IMEDIATAMENTE!

Somos ansiosos e dizemos: “Nossa, como esse ano passou rápido!”
A questão é que o ano tem 365 dias e o mesmo número de horas.

Então pense:
Será que o ano passou rápido ou você é quem está se atropelando?

Vivemos a segunda-feira pensando em como gostaríamos que fosse sexta.
Comemos o almoço pensando na sobremesa.
Começamos a transar pensando na hora do gozo.
Abrimos um livro querendo saber o final.
Postamos uma foto no facebook querendo saber quem vai ‘curtir’.
Começamos a faculdade pensando no diploma.

E é por isso que temos a necessidade de nos desacelerar.
Só um pouco, por favor.

Para termos a chance de nos ouvir mais e aos outros.
Para apreciarmos mais o verde que não foi destruído por mil prédios novos.
Para aproveitarmos um pouco o olhar e o flerte antes do primeiro beijo.
Para apreciarmos uma música sem pensar na próxima playlist.
Para amarmos intensa e verdadeiramente sem imaginarmos o fim.
Para surpreendermos alguém sem querermos algo de volta.
Para termos a magnífica chance de viver novas experiências naquele minuto que não foi atropelado pela nossa loucura e insanidade diária.

-gm 

Pessoas insubstituíveis.

Ele é um daqueles caras que fazem história quando entram na sua vida.
O olhar dele diz mais que 100 palavras por minuto.
Te escuta sem negar um pingo de atenção.
De manhã bem cedo quando você acorda, te leva uma bandeja composta por no mínimo 2 tipos de pães – um com requeijão e o outro com manteiga -, um pedaço de bolo, um copo de suco e outro de leite com chocolate, só pra não dizer que deixou algo faltar.
É cheio de fazer gracinhas nos seus dias de tpm, mas ao mesmo tempo que você detesta essas brincadeiras, é fato que não suportaria ficar um dia sem ele por perto.
Ele põe a mão no seu rosto, dá um sorriso sincero e você jura a si mesma que seria capaz de dar a ele o Oscar de melhor protagonista – pelo filme que, em segundos, passou por completo na sua cabeça.
Ele te irrita, é teimoso, se atrasa pra todos os compromissos e ainda assim consegue se redimir por simplesmente ser a pessoa mais sincera e gentil do mundo.
Te abraça, te beija, te consola e te enxerga como nenhum outro homem foi capaz de fazer.

E nada é mais precioso do que ter alguém tão humano do lado.
Tão errado, tão vivo, tão disposto e tão verdadeiro.

-gm