Amores recicláveis

Quantos amores de papel eu tive.

Todos atingidos pela água.

Água da chuva de primavera, do suor do corpo cansado, do pinguinho da torneira que sobrou depois de fechar o registro.

Amores de papéis de carta, revista e jornais, folhas de rascunho, cadernos escolares.

Uns mais facilmente destrutíveis, outros com resistência moderada, mas nenhum tão forte a ponto de não se molhar.

Todos molhados.

Talvez seja preciso mudar do papel, pra algo mais resistente.

Quem sabe papelão?
Não, papelão ainda é frágil. Plástico, talvez?
Metal?
Bem, metal é tentador.
Mas não sei, prefiro não saber.

Só sei que de papel eu não quero mais.

Talvez eu ainda caia em algumas tentações.
Folhas brancas ou bem escritas chegam a ser tentadoras mesmo. Só não encontrei nenhuma que não se cortasse, desmanchasse, sujasse ou molhasse até agora, infelizmente.

Vou esperar.
E observar.

Pode ser que eu venha a ser surpreendida por algum tipo de amor que não seja caracterizado por nenhum desses objetos inanimados.

E sim por coisas mais vivas, que não tragam necessidade de serem explicadas ou entendidas.

Sem papéis, papelões, plásticos, metais.

Sem essa mistura toda reciclável.

Quero um amor que se renove todo dia, mas sem ter que reciclar. Por mais incompreensível, anti social ou diferente que seja.

Um amor que funcione, apenas. Verdadeiro e feliz.

-gm

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s