Dia após o outro.

Para ela era magia.
Magia essa que contaminava o peito dos casais.
Basearam seus momentos em promessas.

O sorriso dela era dele.
Pelo menos era o que ele dizia.

Trocavam palavras através do olhar.
O uso de som muitas vezes era desnecessário.
Exceto o som da respiração que se fazia bem-vindo em momentos carnais.

Se queriam.

O amor que eles sentiam tomava conta de tudo.
Desde as pontas dos pés aos fios de cabelo.

A princípio era tudo intenso.
Pele com pele.
Histórias compartilhadas.
Sonhos que se sonhavam juntos em busca de um futuro indefinido.

O relógio já não funcionava.
O tempo era leve, demorado.

Eis que o relógio voltou a bater.

O tempo se normalizou e o que era leve se tornou denso, rápido.
Sonhos se tornaram desejos.
Desejos não são necessidade.
Histórias viraram rotina.
E a rotina transformou-se em cansaço, desculpa.
Intensidade virou sinônimo de superficialidade.

O amor no fundo era paixão.
Paixão que se apagou em meio as discussões.

Não se queriam mais.

A escuta terminou.
Palavras rolavam soltas sem nexo.
Perdigotos perdidos em meio a falta de paciência.
Se viam, porém não se enxergavam.
O sorriso transformou-se em lágrima.
Suas promessas se tornaram dívidas que jamais seriam pagas.

E o que era mágico se tornou trágico.
Sem nenhum resquício de explicação.
Talvez destino.

-gm

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Luz para tomar Chá Mate.

Luz ia
se apagar.
Estava
apagada.
Talvez.
Precisava
de
um
empurrão
no interruptor,
apenas.
Eis
que
de repente
alguém
a acendeu.
Ele
precisava
dela
para
enxergar.
Dar brilho,
dar cor,
dar vista
ao copo
cheio,
transbordando,
em cima
da pia.
Ela
era
diferente.
Era
única.
Ele
Mate.
Mate
do copo
cheio.
Mate
era
o que
tomava.
Tomava
depois
de
ligar
a
Luz.
Ele
a acendia.
Dele
ela
precisava.
Sem
ele
não
se
acenderia.
Quanta Luz.
Quanto Mate. Quanta sintonia.
Quanta novidade.
Quanto
se queriam.
Se
precisavam.
Troca
justa.
Luz
para enxergar
o
Mate.
Mate
para
se
ver
através
da luz.
E
ser
tomado.
Quanto Mate.
Quanto amor.
Quanta Luz.

-gm

-> Dedicado à Luiza de Freitas e Matheus Batista.

Amores recicláveis

Quantos amores de papel eu tive.

Todos atingidos pela água.

Água da chuva de primavera, do suor do corpo cansado, do pinguinho da torneira que sobrou depois de fechar o registro.

Amores de papéis de carta, revista e jornais, folhas de rascunho, cadernos escolares.

Uns mais facilmente destrutíveis, outros com resistência moderada, mas nenhum tão forte a ponto de não se molhar.

Todos molhados.

Talvez seja preciso mudar do papel, pra algo mais resistente.

Quem sabe papelão?
Não, papelão ainda é frágil. Plástico, talvez?
Metal?
Bem, metal é tentador.
Mas não sei, prefiro não saber.

Só sei que de papel eu não quero mais.

Talvez eu ainda caia em algumas tentações.
Folhas brancas ou bem escritas chegam a ser tentadoras mesmo. Só não encontrei nenhuma que não se cortasse, desmanchasse, sujasse ou molhasse até agora, infelizmente.

Vou esperar.
E observar.

Pode ser que eu venha a ser surpreendida por algum tipo de amor que não seja caracterizado por nenhum desses objetos inanimados.

E sim por coisas mais vivas, que não tragam necessidade de serem explicadas ou entendidas.

Sem papéis, papelões, plásticos, metais.

Sem essa mistura toda reciclável.

Quero um amor que se renove todo dia, mas sem ter que reciclar. Por mais incompreensível, anti social ou diferente que seja.

Um amor que funcione, apenas. Verdadeiro e feliz.

-gm