Sim, esse texto é sobre sexo.

Hoje fui abordada com a seguinte frase: “Você só fala sobre sexo”. Bem, talvez sim, talvez não. Depende muito do ponto de vista. Porém, de qualquer maneira, não é qualquer dia que alguém te aborda assim. E como qualquer ser humano, errante, como sou, me perguntei o dia inteiro, sem pausas: Será verdadeira tal afirmação? Será que me tornei um ser extremamente inconveniente? E por que será que tal assunto me intriga tanto?
Depois de horas e mais horas refletindo, tive a oportunidade de chegar à algumas conclusões.

A primeira delas é que falar sobre sexo é realmente divertido.
Qual assunto de bar, depois de algumas cervejas, com grandes amigos, que não termina em algo parecido ou contorna coisas do tipo?! Desde comentários superficiais a comentários aprofundados, se não todos, grande parte deles terminam. Alguns deles acabam se tornando pessoais demais, invasivos para algumas pessoas. Falar de sexo não é “inconveniente”. Mas pode passar a ser, a partir do momento que você ultrapassa o limite do outro, quando fala aquilo que quer . Porém, sou obrigada a afirmar que o que é “inconveniente” pra um, pode não ser para outra pessoa. Não sendo eu, entretanto, mãe Dinah e sendo apenas um mero mortal, não acertarei em todas as vezes que tentar ser conveniente.

Outra conclusão que tive é a de que em pleno século XXI ainda somos obrigados a conviver com pensamentos conservadores. E sexo, não é nada mais, nada menos, que tabu. Sim, meus caros colegas. Sexo ainda é tabu. Há milhares de pessoas no mundo, diferentes, obviamente. Com características mutáveis, mas que prevalecem. Pessoas mais reservadas, pessoas mais extrovertidas, pessoas que falam mais, pessoas que escutam mais, pessoas determinadas, pessoas preguiçosas, workaholics, entre milhares de outras. Pessoas tão diferentes, mas que, sem discussão, tem algo completamente em comum. Nasceram do ato mais precioso, que ainda é visto com preconceito, sexo. Pois é, nasceram da mera junção entre um espermatozoide fujão e um óvulo receptivo que, ao encontrarem-se, fizeram essa criatura denominada Homo sapiens, que, caso não saibam, trata-se de vocês. Ou seja, ainda hoje, continuamos programadamente, ou não, criando mais seres exatamente desse jeito: sem tirar, nem pôr… digo… ok, vocês entenderam.

Por último e não menos importante, sou obrigada a dizer que o ato de copular não se faz apenas para criar filhos, se faz por prazer e também por amor. Caso contrário, não existiriam métodos e mais métodos para se evitar uma criança. Transar, fazer amor, copular, fuder, fazer “nhéco-nhéco” (como cansamos de ouvir no vídeo do “Porta dos Fundos”), bem… a denominação não importa. Sabe-se apenas que esse ato não é apenas um ato. É uma troca de fluídos, de carinho, de putaria, de pulsação. É uma mistura de olhares, toques, corpo, amassos, respirações. É uma entrega. É o ato que traz a verdade mais profunda das pessoas. Sem medo, sem pudores, sem tabus. Na hora H não há quem não mostre a parte mais bela e ao mesmo tempo mais obscura de si. E se trata de um presente. Um presente que nos traz à tona quem somos de verdade. Fala sobre quem somos, a base de silêncio e palavras gritadas, expressas sem controle. E é capaz de nos proporcionar, numa junção só, parte das melhores coisas da vida. Momentos inacreditáveis, experiências memoráveis, amor, prazer e felicidade. E talvez agora eu possa responder ou explicar melhor a afirmação que me foi feita. Se falo sobre sexo, é porque gosto, o admiro e o respeito. E não consigo enxergar de que jeito ou maneira, como algo tão puro e com tantos benefícios, num mundo com tanta informação, ainda continua sendo censurado.

-gm

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