Você

Seus olhos guiaram-me à luz,
seu coração ganhou o meu por batimentos,
suas mãos deram-me força e guia,
será que te ganhei por merecimento?

Seu corpo enlouquece a minha mente,
o mundo se cala quando algo me diz,
seu cheiro me põe em tormento
e não há dúvidas de que você é o que eu sempre quis.

Distanciar-me de ti me congela de frio,
ter seu corpo ao meu me garante arrepio,
sua pele macia me faz delirar,
o que seria de mim se eu não pudesse te amar?

-gm

Sim, esse texto é sobre sexo.

Hoje fui abordada com a seguinte frase: “Você só fala sobre sexo”. Bem, talvez sim, talvez não. Depende muito do ponto de vista. Porém, de qualquer maneira, não é qualquer dia que alguém te aborda assim. E como qualquer ser humano, errante, como sou, me perguntei o dia inteiro, sem pausas: Será verdadeira tal afirmação? Será que me tornei um ser extremamente inconveniente? E por que será que tal assunto me intriga tanto?
Depois de horas e mais horas refletindo, tive a oportunidade de chegar à algumas conclusões.

A primeira delas é que falar sobre sexo é realmente divertido.
Qual assunto de bar, depois de algumas cervejas, com grandes amigos, que não termina em algo parecido ou contorna coisas do tipo?! Desde comentários superficiais a comentários aprofundados, se não todos, grande parte deles terminam. Alguns deles acabam se tornando pessoais demais, invasivos para algumas pessoas. Falar de sexo não é “inconveniente”. Mas pode passar a ser, a partir do momento que você ultrapassa o limite do outro, quando fala aquilo que quer . Porém, sou obrigada a afirmar que o que é “inconveniente” pra um, pode não ser para outra pessoa. Não sendo eu, entretanto, mãe Dinah e sendo apenas um mero mortal, não acertarei em todas as vezes que tentar ser conveniente.

Outra conclusão que tive é a de que em pleno século XXI ainda somos obrigados a conviver com pensamentos conservadores. E sexo, não é nada mais, nada menos, que tabu. Sim, meus caros colegas. Sexo ainda é tabu. Há milhares de pessoas no mundo, diferentes, obviamente. Com características mutáveis, mas que prevalecem. Pessoas mais reservadas, pessoas mais extrovertidas, pessoas que falam mais, pessoas que escutam mais, pessoas determinadas, pessoas preguiçosas, workaholics, entre milhares de outras. Pessoas tão diferentes, mas que, sem discussão, tem algo completamente em comum. Nasceram do ato mais precioso, que ainda é visto com preconceito, sexo. Pois é, nasceram da mera junção entre um espermatozoide fujão e um óvulo receptivo que, ao encontrarem-se, fizeram essa criatura denominada Homo sapiens, que, caso não saibam, trata-se de vocês. Ou seja, ainda hoje, continuamos programadamente, ou não, criando mais seres exatamente desse jeito: sem tirar, nem pôr… digo… ok, vocês entenderam.

Por último e não menos importante, sou obrigada a dizer que o ato de copular não se faz apenas para criar filhos, se faz por prazer e também por amor. Caso contrário, não existiriam métodos e mais métodos para se evitar uma criança. Transar, fazer amor, copular, fuder, fazer “nhéco-nhéco” (como cansamos de ouvir no vídeo do “Porta dos Fundos”), bem… a denominação não importa. Sabe-se apenas que esse ato não é apenas um ato. É uma troca de fluídos, de carinho, de putaria, de pulsação. É uma mistura de olhares, toques, corpo, amassos, respirações. É uma entrega. É o ato que traz a verdade mais profunda das pessoas. Sem medo, sem pudores, sem tabus. Na hora H não há quem não mostre a parte mais bela e ao mesmo tempo mais obscura de si. E se trata de um presente. Um presente que nos traz à tona quem somos de verdade. Fala sobre quem somos, a base de silêncio e palavras gritadas, expressas sem controle. E é capaz de nos proporcionar, numa junção só, parte das melhores coisas da vida. Momentos inacreditáveis, experiências memoráveis, amor, prazer e felicidade. E talvez agora eu possa responder ou explicar melhor a afirmação que me foi feita. Se falo sobre sexo, é porque gosto, o admiro e o respeito. E não consigo enxergar de que jeito ou maneira, como algo tão puro e com tantos benefícios, num mundo com tanta informação, ainda continua sendo censurado.

-gm

Buquês murcham, lembranças não.

Belo moço do corpo robusto, do cheiro impecável, dos olhos de mel.
Bela moça da pele de seda, do canto formoso, brilhando em seu véu.
Ele imóvel, suando em seus dedos, sorrindo com medo, arrumando o chapéu.
Ela linda, esperando a entrada, olhos mareados, rezando pro céu.

Eis a hora, a música toca, o povo levanta, padrinhos no altar.
Ele tosse, seu peito contorce, se concentra na porta até ela se abrir.
Ela inspira e já logo respira, coração disparado e começa a entrar.
Se enxergando, ambos se emocionam e pensam na vida que irão construir.

Doce brisa que bate no rosto, na pequena ilha que estão a celebrar.
A paisagem só aumenta a beleza que é vista no amor que irão consumar.
Pai da noiva, erguendo sua mão, entrega sua filha, sem nem hesitar.
Noivo grato, balançando a cabeça como quem o promete não decepcionar.

Ela ri, entende a mensagem e abraçando seu pai, sente-se protegida.
A esquerda, logo ao se virar, enxerga de canto sua melhor amiga.
Na metade, chegam as alianças e com juras eternas colocam-nas nos dedos.
Ela chora, ainda mais que ele, porque dentro da alma ela guarda um segredo.

Ninguém ousa entender o amor que se passa ali naquele instante.
Ela o olha e sem mais aguentar, gesticula baixinho que está gestante.
Ele a vê sem acreditar e sem mesmo poder, beija-a num rompante.
Eles param, meio encabulados, mas não puderam conter a felicidade constante.

E o padre finge que não viu nada e pede ao noivo pra dizer: Seu amor é só meu.
Eles dois, vendo fotografias, se lembram desse dia em que tudo ocorreu.
Sentados agora, em cadeiras de balanço, recordando os votos que foram feitos nesse tempo que correu.
E não há quem se atreva a dizer que essa vida difícil os comprometeu.

Há apenas de se assumir que ouvindo sobre eles, não há tempo que não pare.
Tem dois filhos, uma rotina e uma vida que de fato não foi nada contraditória.
E eles juntos, depois de tantos anos, ainda dizem se amando, repetindo a história:
“Eu sou tua e tu és meu, até que a morte nos separe”.

– gm