25 de dezembro

Data festiva, dizem que Jesus nasceu nesse dia.

E meu pensamento em você.

Mesa composta por um banquete. Tender, peru, chester, arroz,  frutas de todos os tipos, dentre outros mil pratos fartos. Falta espaço na mesa.

E meu pensamento em você.

Velas, velas de todos os tipos. A minha casa está tão repleta de luzes que eu mal poderia pensar no medo da escuridão.

E meu pensamento em você.

Uma árvore de natal cheia de enfeites. Bolinhas azuis, bolinhas vermelhas, bolinhas verdes, bolinhas amarelas, bolinhas roxas, bolinhas esmeraldas, bolinhas de todas as cores. Anjinhos, anjinhos com asa, anjinhos sem asa, anjinhos deitados, anjinhos em pé, anjinhos de ponta cabeça, anjinhos falantes, anjinhos de todos os tipos. Sem contar a estrela dourada, enorme, brilhante, no topo de tudo.

E meu pensamento em você.

Presentes. Muitas e muitas embalagens diferentes. Caixas grandes, caixas pequenas, caixas médias, caixas retangulares, caixas quadradas e se bobear caixas redondas também. Plásticos. Plásticos coloridos, plásticos neutros, plásticos transparentes, plásticos duros, plásticos moles, plásticos que não são plásticos.

E meu pensamento permanece em você.

Pessoas, muitas pessoas. Amigos, colegas, conhecidos, inimigos. Parentes. Mãe, pai, avós, avôs, tias, tios, primas, primos, de segundo grau, de terceiro grau, de quarto grau, de vigésimo oitavo grau, sobrinhos, sobrinhas, netos, netas, irmãs, irmãos, padrinhos, madrinhas.

E meu pensamento permanece em você.

Eu aqui, rodeada por pessoas, comidas, coisas e nada me tira o pensamento frenético e enlouquecido do ser que compõe esse corpo indefinível. Me disseram que eu tinha tudo. Talvez eu devesse acreditar nessa afirmativa se ela não se tornasse interrogação dentro do meu peito vazio. Eu tenho tudo, só não tenho você. Será suficiente? Será que há algo compensável? Será crível?

Eu trocaria esse banquete pela sua presença.

Apagaria todas as luzes e me colocaria no escuro por dias pelo seu abraço.

Eu quebraria cada enfeite que compõe a minha árvore para sentir o teu cheiro. Aliás, quebraria a árvore toda, se fosse preciso.

Eu doaria todos os presentes, todos sem exceção, para sentir teus lábios novamente.

Eu expulsaria cada ser humano que compõe o espaço da minha casa, exceto a minha família, para que você pudesse se juntar a ela e se tornar mais um membro.
Poderia ser meu amante, uma “amizade-colorida”, meu “ficante”, namorado, meu noivo ou meu marido, se quisesse.

O que você preferisse.

Podíamos ser tudo isso ao mesmo tempo. Podíamos ser uma coisa de cada vez. Podíamos fingir que não somos nada, desde que você estivesse comigo em qualquer condição. Desde que a sua presença passasse a ser a única e a mais forte composição da minha noite de Natal, até o último dia de nossas vidas terrenas.

-gm

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