Par de interrogações.

Eu diria que nós dois somos um par de esperanças.
Expectativas criadas em cima de sonhos fortes que remetem a um amor verdadeiro, poderoso e já não mais ilusório.

Eu diria que nós dois somos um par de incertezas.
Incertezas que parecem extremamente certas através da sintonia que descobrimos um no outro.

Eu diria que nós dois somos um par de boas conversas.
Discussões deliciosas que trazem um pouco mais de leveza à vida, a cada oportunidade.

Eu diria que nós dois somos um par de risadas.
Comentários desnecessários, elogios que envergonham e gentilezas que inebriam a alma de maneira graciosa.

Eu diria que nós dois somos um par de amizade.
Preocupação, carinho, cuidado e atenção redobrada.

Eu diria que nós dois somos um par de romantismo.
Versos tortos, canções roubadas, palavras sopradas pelo impulso do peito em êxtase, delicadezas que hoje são vistas como fora de moda.

Eu diria que nós dois somos um par de arrepios.
Abraços, toques, beijos e respiração que modificam, confundem e causam diretamente movimentos corporais involuntários.

Eu diria que nós dois somos um par de destino, mas não cabe a mim dizer àquilo que é incerto.
Dessa maneira, me pus a trocar a palavra destino pela palavra felicidade, tendo em vista que felicidade é apenas um estado. E que estados como esse se constroem a todo momento.

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“ãos” em busca de um mundo melhor.

No estado corrupção,
nas ruas poluição,
na mente falta de concentração.

Se reclama pela pichação,
com qual direito se só tem ladrão?
E eu estou falando no geral, não é só governo que faz merda não.

É mais fácil apontar,
só do outro reclamar,
mas cadê sua visão?
O futuro tá nas suas mãos.

Adolescentes sem precaução,
sexo explícito sem restrição,
nas esquinas prostituição,
fome, ganância e enganação.

Loucuras, drogas, plena piração,
perdidos num mundo sem coração.

Gente falsa, sem conteúdo,
todos na mesma posição.
Sorriso vazio, medo,
falta de compreensão?

Rotina capitalista, sem graça,
mulheres e homens sem própria valorização.

Ar seco, poeira,
pessoas em filas, sentadas no chão.
Hospitais sem infra, mal atendimento,
crianças esperando por vacinação.

Terremotos, furacões,
tudo na beira da destruição.

Falta de amor, caridade,
gente desperdiçando o que tem em mãos.
Racismo, preconceito,
guerras constantes por motivos em vão.

Manifestações, polícia cega,
todos em busca de uma solução.

E o que se faz com tudo isso?
Como melhorar tal progressão?
Basta um olhar, mais atitude,
acreditar na nossa geração.

Ou mudamos, melhoramos,
ou em menos de um século não existirá mais o que se chama de nação.
De Deus é preciso aproximação, mas atitudes são o que nos salvarão.

É necessário batalha, vontade,
para que todos se tornem verdadeiros cidadãos.
É preciso força e coragem,
começar de um novo zero essa projeção.

Sem desistência, muito mais competência,
pra trazer de volta o controle que está sendo tirado de nossas próprias mãos.
Precisamos de menos fala e mais ação.

Chega de hipocrisia, ignorância,
já não é nem por satisfação,
refazer a nossa vida e o mundo em que vivemos,
já virou nossa obrigação.

-gm

25 de dezembro

Data festiva, dizem que Jesus nasceu nesse dia.

E meu pensamento em você.

Mesa composta por um banquete. Tender, peru, chester, arroz,  frutas de todos os tipos, dentre outros mil pratos fartos. Falta espaço na mesa.

E meu pensamento em você.

Velas, velas de todos os tipos. A minha casa está tão repleta de luzes que eu mal poderia pensar no medo da escuridão.

E meu pensamento em você.

Uma árvore de natal cheia de enfeites. Bolinhas azuis, bolinhas vermelhas, bolinhas verdes, bolinhas amarelas, bolinhas roxas, bolinhas esmeraldas, bolinhas de todas as cores. Anjinhos, anjinhos com asa, anjinhos sem asa, anjinhos deitados, anjinhos em pé, anjinhos de ponta cabeça, anjinhos falantes, anjinhos de todos os tipos. Sem contar a estrela dourada, enorme, brilhante, no topo de tudo.

E meu pensamento em você.

Presentes. Muitas e muitas embalagens diferentes. Caixas grandes, caixas pequenas, caixas médias, caixas retangulares, caixas quadradas e se bobear caixas redondas também. Plásticos. Plásticos coloridos, plásticos neutros, plásticos transparentes, plásticos duros, plásticos moles, plásticos que não são plásticos.

E meu pensamento permanece em você.

Pessoas, muitas pessoas. Amigos, colegas, conhecidos, inimigos. Parentes. Mãe, pai, avós, avôs, tias, tios, primas, primos, de segundo grau, de terceiro grau, de quarto grau, de vigésimo oitavo grau, sobrinhos, sobrinhas, netos, netas, irmãs, irmãos, padrinhos, madrinhas.

E meu pensamento permanece em você.

Eu aqui, rodeada por pessoas, comidas, coisas e nada me tira o pensamento frenético e enlouquecido do ser que compõe esse corpo indefinível. Me disseram que eu tinha tudo. Talvez eu devesse acreditar nessa afirmativa se ela não se tornasse interrogação dentro do meu peito vazio. Eu tenho tudo, só não tenho você. Será suficiente? Será que há algo compensável? Será crível?

Eu trocaria esse banquete pela sua presença.

Apagaria todas as luzes e me colocaria no escuro por dias pelo seu abraço.

Eu quebraria cada enfeite que compõe a minha árvore para sentir o teu cheiro. Aliás, quebraria a árvore toda, se fosse preciso.

Eu doaria todos os presentes, todos sem exceção, para sentir teus lábios novamente.

Eu expulsaria cada ser humano que compõe o espaço da minha casa, exceto a minha família, para que você pudesse se juntar a ela e se tornar mais um membro.
Poderia ser meu amante, uma “amizade-colorida”, meu “ficante”, namorado, meu noivo ou meu marido, se quisesse.

O que você preferisse.

Podíamos ser tudo isso ao mesmo tempo. Podíamos ser uma coisa de cada vez. Podíamos fingir que não somos nada, desde que você estivesse comigo em qualquer condição. Desde que a sua presença passasse a ser a única e a mais forte composição da minha noite de Natal, até o último dia de nossas vidas terrenas.

-gm

Os homens que tinham medo da chuva

Havia numa sociedade desconhecida, a anos distante da nossa, uma velha lenda que dizia que a chuva era fatal. Quem saísse na rua quando ela se iniciasse teria uma morte certa.

Maria, menina jovem, com apenas 20 anos, nasceu nesse lugar e desde pequena acompanhava o medo e a crença generalizada que as pessoas tinham sobre esse fenômeno da natureza. Entretanto, sempre tivera curiosidade sobre tudo que a cercava, inclusive sobre todas as características da chuva. Seria ela doce, salgada? Ácida, amarga, azeda? Seria gelada, quente ou morna? Como poderia machucá-la? Através de sua força? E se ela fosse leve e ainda assim destruidora? Ou quem sabe, na verdade, só fosse como a água de seu chuveiro? Maria chegou a comentar sobre suas dúvidas com algumas pessoas que a cercavam, mas com o tempo desistira, depois de ser chamada de louca.

Eis que um dia conheceu Miguel, garoto simples, tão jovem quanto ela, cheio de sonhos e expectativas. E sentiu que ambos indentificavam-se. Dessa forma, queria saber se Miguel a acharia tão desnorteada e maluca como todos os outros que havia falado sobre a chuva. Talvez ele fosse mais um, talvez ele fosse único. Com um pouco de receio, mas decidida, resolveu perguntá-lo diretamente o que pensava sobre isso. Miguel baixou a cabeça, olhou pro lado e ficou mudo por alguns minutos. Olhou Maria e com coragem, resolveu dizê-la o que pensava. Disse então que todos os dias em que a chuva vinha, ele tinha vontade de sentí-la, não por ser um suicída ou ser um louco qualquer. Mas por não ter medo da morte e acreditar que a chuva só se tratava de algo molhado e prazeroso, em seu ponto de vista. Maria o olhou nos olhos e por um instante sorriu, mal conseguia conter aquela satisfação no peito. Ele não entendia seu sorriso, mas sentia algo bom no peito também.

Nesse momento ela o perguntou:
– Miguel, você poderia me encontrar mais tarde, embaixo da árvore do parque de Lótus? As seis horas, em ponto?

Ainda sem compreender, ele disse que poderia. As horas se passaram e sem desistência ambos se encontraram. Maria sabia que naquela noite haveria a chuva mais forte de todos os tempos, pelo menos foi o que ouvira em uma rádio da cidade. E ela estava disposta a acabar com suas dúvidas, se Miguel a acompanhasse.

Eis então que começou a chover e ele compreendeu de imediato. Juntos deram as mãos e se colocaram debaixo da chuva. E logo ali, sozinhos, riram, com toda a felicidade do mundo, pois descobriram que não se passava de água. Água forte e direta, com uma força que não os destruiu, mas apenas os fortificou. Já que unidos, desmantelaram seus medos, destruíram suas dúvidas e porque tinham guardado nas mãos o segredo mais belo de todos. Agora, sentiam no coração, a deliciosa sensação da realização de um sonho e sabiam que unidos seriam sempre melhores. Tão eles, tão felizes, renovados, que poderiam continuar sempre ganhando o mundo, juntos.
-gm

Saiba se ouvir

Hoje o sol amanheceu mais tarde.

Olho pro céu e sinto meu coração batendo diferente do que a meses atrás.

Resolvi seguir os meus instintos, com a maior força que pûde adquirir até agora.

Me olho no espelho e penso no futuro.

Escolhi sair da ilha em que eu permanecia, para enxergá-la verdadeiramente por fora, de um ângulo maior do que o normal.

Resolvi vê-la por inteiro.

E assim sigo, num caminho incerto, mas de todo corpo e alma.

Não há mais o que temer.

No primeiro tombo a gente se machuca, no segundo a gente aprende a cair e a dor se faz menor.
-gm

Onde está, qual o seu nome?

No silêncio da noite à espera de um milagre
aguardando algo que me preencha a alma, talvez um pequeno gesto de bondade.
Na inquietude do dia um coração acelerado,
impulsivo, instável e intocado.
É preciso gritar ou um sussurro serviria como caminho?
É preciso procurar ou é tão presente, mas invisível aos olhos de quem não sabe onde pisa?
A cada dia sinto-me mais distante da sociedade,
Que falta faz um respeito, uma palavra de agradecimento,
aprendemos a viver em cima de tormento.
Não se olha o céu, não se apreciam as folhas,
não se estende a mão, ninguém se lembra que existe algo a mais do que apenas uma vida banhada à buscas constantes por dinheiro.
Esquece-se de amar, esquece-se de demonstrar, esquece-se de si próprio, ou perde-se talvez.
Já nem sei dizer do que se tratam essas palavras ditas,
talvez de um sentimento inconstante que eu nem me preocupo em descobrir o nome.
Cabeça confusa, coração apertado
perguntas mal elaboradas, respostas menos ainda.
Tento manter a fé, a força e a paciência,
o que é nosso está escrito,  eis aqui a minha crença, ou talvez minha ilusão profunda em busca de um mundo melhor.

-gm

Refletir é melhor do que se afogar em pensamentos

Síndrome da falta de romantismo.

Já ouviu falar?

Talvez nem eu tenha ouvido, mas com certeza existe, já que posso senti-la.

Nunca pensei que seu sumiço me afetasse tanto.

Pode acreditar, não é carência ou ausência de amor, é a simples falta que se dá de algo que se perdeu ou se esconde mais nessa sociedade, dia após dia.

Onde estão os românticos que declaravam seu amor sem medo do julgamento? Ou àqueles que se declaravam sem precisarem se expor, apenas pela enorme vontade de conquistar e reconquistar seu amor por quanto tempo fosse necessário?
São poucos os que vejo a minha volta.

As pessoas resolveram não acreditar mais no amor.

Um grande sofrimento, ou alguns mais, tornam-se motivo para desistência, rebeldia, rancor. Mas diga-se de passagem, quem é que vive nesse mundo sem amor?

Quem é que se dispõe e aguenta viver sempre sozinho? Não existe coisa mais bonita se não amar profundamente e encontrar retribuição.

Não, não digo que seja fácil.

Mas se fosse creio que nunca aprenderíamos a valorizar verdadeiramente esse sentimento.

É fácil falar, quando quem está dizendo encontra-se em um instante, distante desse sofrimento, que todos um dia passam. Ainda assim, abrir mão de sentí-lo e de se permitir ser feliz novamente é dado como burrice a meu ver, já que em alguma parte de nossas vidas, todos nós sentiremos necessidade de nos envolver novamente, sempre sentiremos.

Talvez daí, creio que passaram a se esconder os românticos. 

Do medo. Medo de sofrer, medo de se entregar, medo de se arriscar novamente.

E eu pergunto nesse momento: Pra quê tanto medo?

Sim, em parte é hipocrisia, já que me considero um ser extremamente medroso. Mas pra quê tanto medo se o que estamos discutindo aqui é amor?

Amor não traz felicidade?

Como podemos nos deixar levar pelo medo, quando se trata de demonstrar o sentimento mais belo existente nesse mundo?

Pergunto: Nós não viemos para esse mundo para amar?

Obviamente alguém ousará a responder que não, o que acho válido, porém desse modo, peço então, que me responda logo em seguida:

Qual é, portanto, a razão de nossa vinda à Terra se tudo aquilo que é bom de verdade nasce do amor e se ele, no caso, foi desconsiderado como princípio de existência?

-gm

Até onde irá a luta pelo poder do homem?

Medo,  frio, a qualquer momento podem ser surpreendidos, assim como eu.
Fome, fraca, fome, onde estão vocês?
Angústia, porque afinal não há termino feliz.
Vi a morte passar pelos meus olhos, sem dó daqueles que levava.
O que será de nós?
Se sem pensar, muitos sacam armas e destroem o seu próprio reflexo.
É fácil distinguir o barulho dos canhões, o barulho das bombas… e o barulho do coração? Se é que existe coração.
Matam, matam e matam.
Esperança acabada, massacre da mente.
Ignorantes, egoístas, destruidores de futuro.
Não deveria nascer nenhuma alma se quer, não mais.
Já pôde um dia reconhecer seu próprio delírio? Eu já.
Fome, fome, frio… não sinto meus dedos.
Lágrimas me perseguem, lágrimas, saiam daqui, eu não quero mais ouvir, eu não quero, as minhas congelaram, parem de chorar, eu não quero ouvir mais.
Sem saída.
Uma imensidão de pessoas, sozinhas.  Rir?
Mais um dia se vai, lua cheia… como és linda.
Quem me dera estar ai, quem sabe provaria novamente o gosto da ‘liberdade’.
Só você pra me tirar daqui, 1 minuto de sonhos que ainda se fariam reais.
Lembranças de criança, bons tempos aqueles em que eu corria, com medo de trovões e ouvia de minha mãe palavras de calmaria. 
Mãe, como sinto sua falta.
Lua coberta pelas nuvens, realidade.
Quem está aí?
Ouço trovões, diferentes do que ouvia quando criança, seguidos de lágrimas.
Saiam, saiam, eu não quero mais ouvir.
Medo dos grandes homens que me cercam.
Já não estou mais sozinha.
Dor incontrolável, dor.
Luz forte, luz clara.
Mãe? É você mesma?
Agora, o barulho dos trovões se foi.
Já não vejo mais ninguém.
Só mais um corpo esticado no chão.
E finalmente, estou salva.

-gm

Diga! Quantas vezes for preciso…

Diz pra mim que não vai embora, eu te amo e não é de agora.

Diz que seremos felizes juntos, só nós dois compondo o nosso mundo.

Diz que sou sua eterna chama, aquela que acende e nem vento apaga.

Diz que o amor só se faz com a gente, que sem mim, torna-se inconsciente.

Diz que o sexo se faz melhor comigo, que em outra cama não terá abrigo.

Diz que a chuva se faz quente e o sol se gela fácil, pois estando perto a única coisa que faz sentido são os seus lábios nos meus.

Diz que a paisagem mais bela é o meu sorriso desprevenido.

Diz que as horas são incontáveis quando junta-se a mim em um abraço.

Diz que é mais homem quando sente meu cheiro e faz de mim, pra sempre, sua exclusiva mulher.