E era uma mulher…

E era uma mulher iluminada.

Seu nome eu desconhecia, mas me era clara a lembrança do seu cheiro. Baunilha, sim, tenho certeza de que esse detalhe compunha a maior parte do seu perfume.

Seus olhos eram cor de mel.
Seu cabelo ruivo poderia ditar exatamente a cor da chama existente em meu corpo, ao vê-la passar todo dia por mim, se essa chama não fosse uma mera e clichê analogia.
Para o seu sorriso ainda estou a procura de algo que sirva de possível comparação.
Seus lábios eu sempre quis poder caracterizar depois de um beijo.

E era uma mulher simples, ao mesmo tempo que parecia ter uma lâmpada fluorescente em cada extremidade de seu corpo.

Apenas uma, das mil mulheres esbeltas que eu via por ali e ainda assim tão diferente.
Tão doce me parecia, tão mulher. Ainda que perto todas as manhãs, ela estava tão longe.

Como poderia um rapaz tão composto de nada se tornar o homem da vida de uma mulher cheia de tudo? Como poderia convencê-la que debaixo dessa carcaça havia um homem prestes a ama-la como nunca ela tivera sido amada? Como poderia me dirigir à sua pessoa e fazê-la acreditar nesse sentimento “a primeira vista”, se nem coragem tinha para me aproximar? Me acharia louco, me faltaria voz.
Até que um dia as coisas mudaram.

E era uma mulher com lágrimas no rosto.

Então não pude conter. Meu instinto apaixonado por àquela criatura desconhecida me trouxe a necessidade de agir de alguma maneira. Pensamentos distintos me vieram à cabeça, sem tempo e sem muita criatividade optei por pegar uma flor que vi parada e sozinha, como ela, ali no jardim.
Haviam de se completar, haviam de se fazer mais felizes.

E foi aí que ouvi sua voz pela primeira vez.

Pedi perdão pela invasão e disse que era triste vê-la chorar.
Contei a ela que a observava sempre e que não pude me conter ao ver suas lágrimas.
Dei para ela aquela pequena flor e com uma pequena risada ela me devolveu o ato.

Era uma mulher linda.

E foi aí que tive a chance de um primeiro encontro.
Primeiro de muitos, eu diria.
E me pus na obrigação de evitar o máximo àquele choro por quantos anos fossem necessários e trazer seu mais belo sorriso de volta à vida.

Agora eu diria que seus lábios são os mais delicados e macis que eu já provei em toda a minha existência.

E era uma mulher que agora é minha. Minha e da felicidade.

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Quem sou eu, afinal?

Mania interessante essa nossa de estarmos a todo o tempo querendo responder à pergunta “o que seremos um dia?”, sem antes nos darmos a chance de nos responder o que somos hoje.

Arrisco dizer que sou tudo.

Não a todo instante, não de uma só vez. Mas ainda assim posso me levar a ser de tudo um pouco nos momentos em que eu me permitir ser.

Sou sol, luz, aroma, ventania, chuva de verão.

Sou céu ao acordar e ao adormecer também.

Sou lua cheia, estrela cadente.

Sou bicho racional e irracional.

Sou águia que enxerga acima e bem distante.

Sou uma comédia romântica daquelas que se assiste num domingo a tarde debaixo da coberta.

Sou mar, mas de água doce, por incrível que pareça.

Sou energia, boas vibrações.

Sou parte da hipocrisia por querer mudar o mundo capitalista e seus valores, mas ainda assim utilizar daquilo que ele me dá. Diria que é um conforto que me desconforta.

Apesar dos 18 anos de vida, tenho idade indefinida, já que hora sou criança, hora jovem, hora adulta.

Sou banho quente em dias de frio intenso, água fria quando o corpo esquenta.

Sou binóculo, fotografias, memórias.

Doce… é, um belo chocolate todo santo dia!

Amizade, união.

Choro incessante, risada escandalosa.

Sonhos, nossa, quantos e quantos sonhos não sou?

Olhares, sorrisos, toque, beijos, abraços de urso.

Insegurança, preocupação, carência, medo, sou angústia, teimosia, ironia, dúvida, distração, a plena falta de atenção, sou drama.

E sou carinho, cuidado, pro-atividade, paz, inimiga número um do rancor.

Sou caridade, sou justiça.

Emoção desenfreada, tão incontrolável que chego a me desequilibrar quando a razão tem que ser muito considerada. As vezes paro e me pergunto o que mais importa, ter razão ou ser feliz? Nem sempre pensar e pensar traz felicidade incondicional. Apesar de que é claro que é impossível desconsiderar ao todo o pensamento estabilizado, o que nos é mais seguro. Só não deixa de ser válido seguir as emoções, se jogar, se arriscar, viver deixando que as vontades da própria vida nos guiem.

Sou família, sou felicidade e sou loucura, sou anti-tabus, títulos mal feitos impostos pela sociedade e anti-preconceito.

Sou ousadia, porém também sou timidez.

Sou festa, curtição, sou inúmeras viagens, churrasco com amigos, sou cama e travesseiro.

Sou strogonoff, comida japonesa, suco, guaraná e caipiroska de vez em quando.

Sou verdade, música, poesia, dança e teatro.

“Sexo antes, amor depois” como diria Rita Lee.

Amor… e quanto amor não sou? De amigo, de irmã, de filha, namorada, neta, sobrinha, de cidadã e futura mãe. Costumo dizer que não vivo nesse mundo para amar, amo para que nele eu possa viver.

Sou ainda muita coisa para descobrir, serei muita coisa, sou aprendiz.

Sou fé, crença, perdão, filha de Deus, mas não sei dizer se sou eu quem faço parte da sua arte ou se ele é quem inspira completamente a minha. Irônico é dizer que sou tantas coisas, mas ter que assumir que sem ele, nada sou.

-gm